Porquê eu te dei unfollow no Instagram

Na Era da Informação decidi ser curadora: aquela que protege. Aquela que busca, filtra, armazena e sobretudo, decide o que carregar. Então, te dei unfollow. Não foi nada pessoal.

Quando penso em que tipo de pessoa quero ser, me imagino caminhando de braços dados com a criatividade e autonomia para tomar minhas próprias decisões. A internet proporciona essa falsa sensação de liberdade de escolhas vestida de discursos liberais sobre como podemos TER o que quisermos com um pouquinho de persistência. Às vezes sinto que saímos das gaiolas dos escritórios para as grades do Iphone e de preferência o último lançamento para fazer os melhores stories de um dia que nem aproveitamos.

O direito de escolher o que fazer com a própria vida ainda não é nosso. Infelizmente, precisamos quebrar algumas paredes de vidros para enxergar o que está bem diante dos nossos narizes: nunca tivemos o livre arbítrio. Tudo o queremos, gostamos e decidimos é influenciado e influencia pessoas próximas a nós, seja por proximidade física ou digital.

Somos meio e o produto de empresas que lucram diariamente da nossa vontade de pertencer a um grupo, defender uma ideologia ou mantermos comunicação. Não se apavore! Apesar de tudo, ainda podemos decidir para quem vai o lucro. Seja através da atenção ou do dinheiro, somos capazes de designar quem cresce e quem desaparece simples assim, através de um clique.

Diariamente engrandecemos ideias sobre como o mundo deveria ser através de comportamentos simples como visualizar um vídeo ou comprar um jogo de cama novo. Talvez você nunca tenha parado para pensar na importância de um seguidor a menos ou um seguidor a mais, mas deveria. Os números nas redes sociais importam cada vez mais embora exista um esforço coletivo para que isso deixe de ser uma verdade. Negar a realidade, abstrair o processo, fingir viver uma passividade que não existe de forma sincera nem nos nossos sonhos.



Eu te dei unfollow, mas não pelas minhocas que devem estar aí na sua cabeça. Acontece que quem seguimos diz muito sobre o que acreditamos, queremos e escolhemos para essa vida e o contrário também diz muito. Há quem crie um perfil social de estudos, há quem crie um perfil de trabalho. Há quem nem tenha redes sociais. Em algum momento muito louco da contemporaneidade paramos de tentar compreender que a vida vai um tanto além do “sim ou não”, “certo ou errado”, sabe? E o mundo não gira em torno de você.

Essa conversa me lembrou de uma vez que antecipei os pedidos de desculpas por tal atrocidade. Motivo? Eu e o @ trabalhamos com a mesma coisa tendo valores muito parecidos. Desculpa aí ó, te admiro, te respeito, tu me encanta. Mas, sabe qual é? A gente tá aí muito próximo que pra eu esbarrar num acidente (outra ultraje) que ora chamam de cópia, ora chamam de consciente coletivo é facinho. Pior seria se eu começasse a comparar a tua vida com a minha, ainda não cheguei nessa fase da terapia. Só que muitas vezes o que acontece é a tal da fonte: pessoas consumindo informação e bebendo da mesma água, comendo da mesma fruta... Tinham que cagar igual, né? E a gente tem um medo de ser comparado, de não ser autêntico o suficiente. Talvez o motivo de tantas comparações sejam os best sellers em nossos kindles ou esse esforço danado para ser diferente depois de executar a mesma bibliografia. Bobagem.

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