O poder de uma boa história na Era Digital

Uma das faces da Era Digital é sobre a sobrecarga de informação em que vivemos. São muitas pessoas produzindo conteúdo ativamente e recebemos mensagens por todos os lados. Entre tendências e aprendizados, nos deparamos em um cenário às vezes confuso e, por que não dizer, barulhento. No olho desse furacão, o que é realmente capaz de ganhar a atenção das pessoas?


A resposta para isso está nas histórias. Elas sim são capazes de atravessar existências de uma maneira genuína e autêntica, quebrando barreiras e envolvendo emocionalmente e intelectualmente. De fato, as histórias carregam muitos poderes e é sobre isso que falaremos nesse artigo.


Ter uma boa história e a habilidade de contá-la pode ser determinante no convívio social, seja numa entrevista de emprego, em eventos de networking ou reuniões e também para as marcas. Mas não basta uma história ser boa, como ela é transmitida muda todo o contexto.



Livro artesanal pela Lara Pimental da Lariê.

Histórias vs Narrativa


Costumamos utilizar a palavra “histórias" e “narrativas" para nos referirmos à mesma coisa. No entanto, não é bem assim. Enquanto as histórias são um conjunto de acontecimentos e conhecimentos, a narrativa diz mais sobre como os mesmos serão contados. John Hagel, autor de diversos livros e consultor de gestão de negócios, diz que “o problema de algumas histórias é que elas são independentes - elas têm um começo, um meio e um fim. As narrativas, por outro lado, são abertas e convidam à participação. Elas encapsulam uma ambição. O que torna as histórias infinitamente mais poderosas - e mais interessantes - é a narrativa que elas sustentam. Uma história é um evento. No entanto, como parte de uma narrativa maior, ela fornece o núcleo de uma missão”.


Quando buscamos sobre cinema, podemos encontrar bastante informação a respeito do assunto. Para os estudiosos da área, a narrativa é encarada como o "design e osquestração” de como uma história é contada. Em um filme, por exemplo, isso envolve o ângulo da câmera, o tempo de cada cena, as pausas nos diálogos e etc.


Assim, é mais fácil entender que uma narrativa sempre trabalha com e a favor de uma história, enquanto uma história nem sempre carrega uma narrativa. Logo, para uma história ser boa, ela precisa ter, antes de qualquer coisa, uma boa narrativa.


Sabendo disso, listamos alguns atributos que boas histórias são capazes de acessar.




Os poderes de uma boa história 


Convencimento


Convencer pessoas também é sobre influenciar. No momento em que o marketing de influência tem tanto peso, as histórias fazem todo o sentido. Por meio de histórias bem contadas é possível afetar emocionalmente pessoas e torná-las adeptas de uma ideia ou de um ponto de vista.


Compreensão


Quando falamos de inovação ou de um posicionamento inovador é preciso explicar e buscar a compreensão das pessoas. As histórias também tem esse poder, de instruir e colocar as pessoas na mesma página sobre um assunto, ou mesmo na mesma página para discutirem e trocar conhecimentos sobre a pauta.


Identificação


Esse é um dos principais atributos de uma história, a capacidade de criar identificação com um grupo de pessoas. A sensação de fazer parte de um movimento maior, de não estar sozinho e de se enxergar no outro é confortante, constrói confiança e é capaz de gerar ação/movimento.


Significado


Algumas coisas, por si só, podem parecer comuns, mas histórias podem atribuir significado e valor à elas. É isso o que faz com que muitas marcas ofereçam produtos similares, mas tenham percepções tão diferentes, por exemplo. 


Atenção


Na Era Digital, ganhar a atenção das pessoas tem valor inestimável. A atenção é uma moeda de troca e também o que oferecemos às redes sociais que utilizamos enquanto somos atingidos por anúncios a todo momento. Mas nesse turbilhão de informações, as histórias tem um potencial muito maior: de prender a atenção e ainda de ficar gravada na memória. Ter atenção também é ser lembrado.


Envolvimento


A partir do momento em que uma história atravessa as pessoas e causa identificação, as chances do envolvimento acontecer também são maiores. As boas histórias envolvem pessoas, estimulam a imaginação e plantam nelas a vontade de compartilhar e trocar vivências, deixando-as mais a vontade com você e a sua marca. 


Inspiração


Quando uma história é boa a ponto de fazer com que as pessoas se projetem nesse mundo elas também sentem apego à ela e inspiração para agir de acordo com esses novos ensinamentos e aprendizados absorvidos. As histórias podem motivar e mudar comportamentos, além de acompanhar pessoas por toda a vida. Você se lembra de uma história que ouvia quando criança e até hoje mexe com você? Isso é porque ela te inspirou e estimulou de alguma maneira.




Um convite para fazer histórias


Em nosso tempo, as histórias podem ser confundidas com os "stories" que vemos em nossos Instagram todos os dias. Esse nome não é por acaso, histórias são boas de se acompanhar. Mas o convite aqui é para que possamos refletir sobre a capacidade que cada história tem, de ensinar, influenciar ou inspirar para, assim, produzir conteúdo responsável de qualidade.


Sobre ser responsável, ao desenvolver a sua história vale considerar também que todas elas tem mais de um lado. Uma das palestras mais vistas no TED Talk, pela Chimamanda Ngozi Adichie, fala sobre “O perigo de uma história única” e os problemas que isso pode acarretar. O vídeo está disponível aqui e pode te ajudar a enriquecer o que você tem para compartilhar.


As histórias funcionam bem, mas o público, o objetivo e os canais devem ser considerados com antecedência. Não podemos esquecer também que o visual importa, as imagens comunicam, assim como os emojis, os memes, os sons e tudo pode ser utilizado para criar narrativas mais ricas e interessantes.


Por fim e não menos importante, procure por histórias originais e que tenham a ver com as suas crenças. Roy Biesenbach, autor de “Liberte o poder da narrativa”, faz um chamado a respeito disso em seu livro e diz que “uma história original tem duas vantagens: você tem a oportunidade de criar a sua e as pessoas nunca a ouviram antes”. 



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