O futuro está a 260 caracteres de distância?

500 milhões. Esse é o número de mensagens, notificações, pensamentos e comentários feitos diariamente na rede ao lado, e dessa vez não estamos falando do Facebook. A nossa nova - mas não tão nova assim - rede social favorita resiste desde 2006, entre eras dos grandes textos sendo que apenas 140 caracteres (na época, hoje é possível 260) eram possíveis, era das fotos onde o formato quadrado não era a melhor opção para a plataforma, e momento dos vídeos com um limite de tempo curtíssimo possível, ela ainda respira, e vai continuar por muito tempo.


Voltando alguns passos, redes sociais existem desde que o mundo é mundo, e a internet não existe há todo esse tempo, e o que difere Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin ou qualquer outra plataforma dessas presentes há tanto tempo é a internet. Existe um comportamento comum entre todas essas redes sociais, mesmo que seus objetivos sejam outros, mas a presença de textos, a possibilidade de replicar conteúdos, e textos escaláveis são alguns desses pontos.



Entendeu por que o Twitter sobrevive?


A existência ou um apreço maior por fotos durante um momento não fez com que essas fotos, em sua maioria, fossem postadas sem um texto, por exemplo. Hoje o Instagram tem uma aba para textos maiores que não cabem em legendas, como uma espécie de blog dentro da plataforma. O texto sempre esteve presente nas interações digitais dessas redes sociais, por isso o Twitter segue vivo.


Mas além de seguir vivo, o Twitter vem passando por algumas mudanças nos últimos 5 anos, que é a presença cada vez mais notável de opiniões diversas e a possibilidade dessas opiniões virarem algo maior. Bem maior. De eleições a grupos sociais politicamente organizados, o Twitter se tornou ferramenta fundamental de escuta e de fala. Seja pela rapidez ou pela facilidade em ter um grande alcance, informações, ideias, necessidades, histórias, pedidos, reclamações, ganham proporções gigantes, mesmo quando era pra ser apenas um desabafo ou um comentário bobo.




Siyanda Mohutsiwa, uma escritora botswana, entendeu a potência do Twitter com algumas palavras e um pouco de criatividade (talvez ela tenha descoberto a fórmula mágica dessa rede social). A sua hashtag #IfAfricaWasABar (Se a África fosse um bar) tinha a ideia de pensar em como se comportariam países africanos se esses fossem pessoas e entrassem no bar. Siyanda nos traz que haviam tweets com críticas sociais, críticas ao estereótipo de cada país, tweets humorados e alguns que mostravam que até os próprios africanos desconheciam os países do seu próprio continente, e tudo a levou para uma mesma conclusão.


Você ai do outro lado da tela, pare 30 segundinhos e se pergunte duas coisas: quantas coisas, iniciativas, coletivos, ideias, você já viu nascer do twitter? E quantas vezes no seu dia você escuta alguém comentar “...ah porque eu vi no Twitter que…”?


Parou? Pensou? Pois é, agora sim vamos entrar no tema desse texto.


Se em 2020 você olhou pro Twitter apenas com uma ideia de brigas, memes, discussões em vão e perfis que você não ia muito com a cara, em 2021 você não precisa mudar 100%, mas vai ser preciso ampliar essa ideia. Precisamos entender e aceitar que o Twitter vem em uma crescente rápida e notável, têm percebido a presença de #publis nessa rede social?


Acontece que se hoje as marcas, empresas, agências, pessoas e grupos buscam cada vez mais por uma humanização e por uma aproximação, isso não está se fazendo possível tão fácil e de forma tão orgânica quanto no Twitter.


Não podemos esquecer que redes sociais ainda fazem parte de um discurso, e da manutenção desse discurso dentro de uma estrutura entre dominante e dominado. Se antes entendemos essa manutenção possível unicamente através dos veículos de grandes mídias como televisão, rádio, jornal e revista, hoje a internet ao mesmo tempo que nos traz um novo espaço de presença dessa estrutura, também traz um novo espaço para que essa seja quebrada com mais facilidade.


A verdade que ainda muitos não querem engolir é que o Twitter, hoje, é uma das grandes plataformas essenciais para a transformação social e digital. Como Siyanda disse, com apenas poucas palavras e criatividade, você consegue entender como seus iguais (ou semelhantes) entendem seu continente de forma muito mais próxima e humanizada. Mas ainda, é possível que seu ídolo favorito interaja com você e você puxe uma conversa sobre o processo criativo daquela música que não sei do seu repeat. O Twitter é uma ferramenta de humanização.


Mas para além de uma quebra desse discurso dominante, existe uma retomada pela autonomia no contar histórias. Em 1 fio com 10 tweets você consegue captar, contar, emocionar e convencer algumas milhares de pessoas, consegue fazer denúncias, explicar questões e desmistificar qualquer boato ou mentira contada por aí, é uma retomada da narrativa e uma apropriação do que de fato é, pelo menos para você.


A questão aqui é que o Twitter reúne vários “você” que se tornam grupos capazes de gerar uma transformação ainda maior, seja enquanto agente ativo ou como telespectador. Procure saber sobre o @savagefiction, que criou um livro com histórias de personalidades negras a partir de seus fios criados no Twitter. Essa é a transformação e tomada de narrativa que estamos falando, e que está crescendo cada vez mais.


Agora um final com 260 caracteres.


Siyanda concluiu a partir de uma hashtag que era possível um pan-africanismo social, onde africanos compartilhassem questões sociais sobre seus países. Hoje temos cada vez mais opiniões e iniciativas criadas a partir do Twitter. Puxa uma cadeira, e essa conversa, e presta atenção.



Curadoria de conteúdo: Sue Coutinho

Redação: Pryscila Galvão


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