O futuro é criativo

A “economia criativa” ou “economia” cultural” tem como foco o capital intelectual, esse escopo abrange áreas como design, moda, produções culturais, mídias sociais, audiovisual e comunicação.

Com o avanço da tecnologia evidenciado pela internet, surgiram uma enxurrada de novos produtos e serviços com novos modelos de negócios. A economia criativa permite que pessoas e países inteiros transformem suas realidades econômicas através da criatividade e inovação. O assunto tomou tanta importância no Brasil que garantiu uma atenção especial pelo Estado através do Ministério da Cultura, sendo fundada assim a Secretaria de Economia Criativa.

Segundo o relatório da UNCTAD (2010), a economia criativa pode ser definida das seguintes maneiras: contém ciclos de criação, produção e distribuição que utilizam criatividade e capital intelectual como insumos primários; constituem um conjunto de atividades baseadas em conhecimento; possuem produtos tangíveis e serviços intelectuais que se posicionam entre os setores artísticos, serviços e industriais.

Tratando-se de Brasil, a Economia Criativa só tende a crescer por conta do desenvolvimento tecnológico, mudança de hábitos do consumidor e pelo incrível que pareça, a crise econômica. Todos os fatores citados anteriormente foram decisivos para expansão do mercado criativo em solo brasileiro. Segundo o IBGE (2017), o trabalho por conta própria e sem carteira assinada ultrapassou pela primeira vez na história o trabalho formal.


Atualmente, a indústria criativa brasileira movimenta mais de dois milhões de empresas.

Com base na massa salarial gerada por essas empresas, estima-se que o núcleo criativo gera um Produto Interno Bruto (PIB) equivalente a R$ 110 bilhões, ou 2,7% do total produzido no país. A cifra chega a R$ 735 bilhões, se considerada a produção de toda a cadeia, equivalendo a 18% do PIB nacional.Para trabalhar com capital criativo, não basta apenas produzir conteúdo criativo. É necessário possuir características empreendedoras, para mantimento de um negócio com potencial inovador e lucrativo. Segundo uma pesquisa comportamental realizada durante o Empretec com empreendedores que conseguiram aumentar seus faturamentos, as principais características de um empreendedor criativo são: saber buscar oportunidades e ter iniciativa, persistência, disposição para correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, comprometimento, buscar por informações e saber observar, planejamento e acompanhamento sistemático, persuasão, independência e autoconfiança.Apesar de ser um mercado promissor, a maioria das empresas não sobrevive ao segundo ano de funcionamento. São diversos os motivos para essa taxa de encerramento de atividades prematura, sendo algumas delas: crise econômica, falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento, má gestão etc. Segundo Facundo Guerra (2018), o capitalismo como o conhecemos está chegando ao fundo do poço. Não que ele será substituído por qualquer outro tipo de serviço de troca humano, mas transformando-se em um novo tipo de capitalismo: menor, mais autoral, mais fragmentado e humano, com a impressão digital do criador na mercadoria. O futuro, tal como foi no passado, será feito à mão.

O sistema do varejo tradicional vem se remodelando aos longos dos anos para atender as necessidades de consumo da sociedade, mas e se a nova sociedade não estiver mais preocupada em consumir? Tem crescido anualmente o número de adeptos ao consumo consciente que abrange diversas atividades cotidianas, desde a alimentação até a escolha de um roteiro turístico.

É de extrema urgência que os grandes varejistas discutam os rumos da produção muito além da matéria prima sustentável, é necessário oferecer já, produtos criativos e com história para contar. Muitas marcas locais expandiram-se tanto nos últimos anos que se tornaram cases de sucesso em desenvolvimento de produto, branding e sustentabilidade, é o caso da Insecta Shoes (marca de calçados veganos produzidos através de reúno de tecidos descartados) e a Três (marca de vestuário carioca que cuida desde a produção até a distribuição dos produtos).

Como agradar, então, um consumidor ainda mais exigente?

A questão é: Se qualquer empresa ou profissional quiser se manter na área, é necessário muito mais que um mergulho no raso do que agrada ou não a Geração Z. As pessoas tem se preocupado cada vez mais com a origem das suas peças analisando todas as áreas produtivas e comunicativas vigorosamente. O antiético não é mais tolerado. A larga escala e o preço competitivo já não chamam tanta atenção.

O mercado tem seguido por caminhos ainda mais estreitos para os grandes varejistas e ajudado a fechar grandes portas comerciais. O futuro é local e feito à mão, contra isso não tem como competir. A pergunta que devemos nos fazer é: como mudar o Sistema de multinacionais com estruturas ultrapassadas, porém altamente lucrativas e voltar os olhos dos grandes empresários ao investimento local e fragmentado?

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