Greenwashing - Estamos sendo verdadeiros?

Está cada vez mais fácil encontrar produtos e serviços que se caracterizam como ecológicos ou de baixo impacto ao meio ambiente. No primeiro momento, ver a mobilização das empresas em relação a esse assunto pode ser confortante e até representar um avanço. Mas esse é um assunto que merece ser visto com mais profundidade.


Quando tomamos a decisão de oferecer um produto ou serviço que se enquadre em um consumo consciente, o que precisa, realmente, ser considerado? Em um artigo de André Carvalhal para a Carta Capital, fala-se sobre como esse comportamento vai além do que é facilmente percebido. "Consumo consciente é mais do que ser sustentável e não ter impacto negativo. É sobre conhecer os impactos”. Será que conhecemos o suficiente?


Muito do que é reciclado pode continuar gerando impacto ambiental, da mesma forma que  a substituição de matérias-primas pode começar a afetar um outro sistema. Tudo vai depender do produto e do contexto em que isso ocorre.


É quando deixam de analisar esse contexto que as marcas fazem o chamado “greenwashing”, que nada mais é do que aquela velha história de discurso que não se alinha à prática. E a questão que fica é: o que comunicamos é verdadeiro? 


Essa é uma questão séria e essa reflexão não é para desencorajar iniciativas. Pelo contrário, devemos entender como tornar essas iniciativas mais consistentes para, assim, alcançar resultados mais positivos.


Uma ideia sustentável pode e deve ser compartilhada, mas ela também deve estar acompanhada de informações que comprovem o seu papel. O produto é vegano? Qual é a matéria-prima utilizada e de que forma é produzida? Se for reciclável, como a reciclagem é feita, quais são os pontos de coleta e o que poderá ser feito com ele? 


Com essas questões esclarecidas é possível também conseguir certificações, recolher dados e estipular metas. E é isso o que dá credibilidade à uma marca, além de segurança quanto à sua conduta (que pode ser questionada a qualquer momento).


Por fim, o pedido é um só: que sigamos com transparência! O consumo consciente não é apenas um artifício para incentivar o consumo, mas sim uma causa. Os danos ambientais não devem ser substituídos, mas reduzidos.  As pessoas podem ter muitas dificuldades na hora de fazer escolhas, é nosso papel ter uma comunicação verdadeira e responsável.



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