É por isso que você faz detox de redes sociais

O despertador toca, você o desliga e abre o e-mail. Enquanto você dormia, um amigo te marcou em uma foto que você precisa ver. Então você repara numa espinha ou como a sua aparência está longe de ser como as dos filtros que tu costuma usar para tirar selfies. Você imediatamente afirma que a distorção não é da foto, aquela aparência que te incomoda é a sua. E logo, você vai parar em um cirurgião plástico. O botox e o silicone não foram o suficiente, você precisa de um vestido novo e pintar a parede do quarto.

Não é a toa que inflamaram-se debates sobre saúde e redes socais. Nós somos condicionados diariamente para acreditarmos naquilo que grandes indústrias determinam ser a verdade em um grande esquema de manipulação.



Tá duvidando? Então como as redes sociais e mecanismos de busca, como o Google, tornaram-se empresas multi bilionárias sem cobrar de seus "usuários"? Uma grande parte das pessoas, inclusive você pode ter especulado que a resposta seria: "vendendo nossas informações para outras empresas". E isso é meia verdade. Essas empresas lucram com os anunciantes. "Se você não está pagando por um produto, é sinal que o produto é você" Andrew Lewis estava correto. Afinal, você sabia que ao se cadastrar no Facebook ou Instagram autoriza a coleta de dados? É coleguinha, estava escrito nos termos de Privacidade e Utilização. E você concordou. O produto mais procurado do mercado é a atenção das pessoas. Isso ajuda a explicar a enorme procura por profissionais de marketing e áreas correlatas nos últimos anos. Do pequeno ao grande negócio, a atenção é um dos principais fatores de popularidade e impacto em crescimento. "Existe todo um mercado em torno da atenção. As pessoas me contratam porque sabem que é o que posso entregar a elas: a atençãoe e empatia dos clientes, costumamos chamar de relacionamento. Esse é dos meus feedbacks mais frequentes", explico eu mesma em voz alta. Meus colegas não sabem, mas quando descobrem um novo hack para driblar o algoritmo estão trabalhando para ele. Não parece suspeito que todo profissional de marketing saiba como driblar o algoritmo, mas nenhum engenheiro de software saiba como fazê-lo? Os algoritmos são gerados a partir de uma inteligência artificial que pensa sozinha. Nem o próprio Mark Zuckeberg sabe como o algoritmo funciona nesse exato momento. "Os algoritmos de IA individualizam as consultas ao Google, com respostas que variam em função do perfil de quem está buscando a informação; essa é uma pequena ilustração da interferência dos algoritmos no acesso à informação e, possivelmente, em nossas decisões e ações." (DORA KAUFMAN para a Época Negócios, 2019) O algoritmo em si não é o vilão, ele só imita o comportamento humano. Se você é uma pessoa que gosta de livros de autoajuda, tudo relacionado ao tema e comportamento anterior que você teve na internet chegará até você. Logo tudo o que você decide é manipulado por uma série de números, tecnologia e entrega de conteúdos que você sugeriu ao algoritmo. Você sabia que existe um curso de formação em Stanford com o propósito de gerar insights para desenvolver tecnologias aptas a mudar as crenças? O estudo dessas tecnologias persuasivas inclui design, pesquisa, ética e a análise de produtos de computação interativa. Resumindo, é uma nova maneira de pensar sobre o comportamento alvo e transformá-lo numa direção compatível com o “problema” a ser resolvido (Época Negócios). Para fazer "detox", você precisa estar intoxicado? Jaron Lanier, visionário e personalidade respeitada do Vale do Silício diz que evita as redes sociais pelo mesmo motivo que evita as drogas. Todas as redes sociais e plataformas contém algoritmos com um único objetivo: te fazer passar a maior quantidade de tempo possível ativo. Mas cada um funciona de uma forma muito diferente. A dependência da internet é uma nova psicopatologia, considerada uma dependência não química, na qual o indivíduo apresenta dificuldade de controle do tempo de uso da internet, não conseguindo, portanto, desvincular da rede (PEREIRA, 2014; PEREIRA e PICCOLOTO, 2014). O Brasil é o o segundo país com o maior número de tempo gasto nas redes sociais, ficando atrás apenas da Filipinas. A pesquisa foi realizada pela GlobalWebIndex em 2019. Estudos recentes realizados pela Unifesp com mais de 200 jovens, entre 13 e 17 anos, também são alarmantes. "Conectados, esses jovens podem sofrer consequências ainda mais profundas. Segundo as pesquisadoras, 82% dos estudantes se preocupam com o que pode estar acontecendo nas redes sociais enquanto está ausente; 65% resistem ao sono ou dormem pouco para continuarem on-line; 61% acreditam ficar menos tímidos e mais seguros ao conversarem por meio de aplicativos de mensagens; 45% dizem sentir alívio no dia a dia; 30% sentem-se menos ansiosos; e 23% menos sozinhos". Uma das pesquisas mais importantes sobre o assunto, foi coordenada por Kimberly Young em 1996, onde foram registrados 600 usuários com sinais clínicos de dependência. As pessoas que acordem, comem, trabalham e dormem com a internet adquirem vulnerabilidades sociais como nunca antes, podendo gerar ansiedade, depressão, dificuldade de se relacionar etc. Daniel Sieberg, autor de “The Digital Diet” (Dieta Digital), propõe um programa em quatro etapas para acabar com essa dependência. O programa propõe um período de abstinência através de uma conta do peso digital de cada pessoa, que leva em conta o número de aparelhos, logins, serviços e como são usados.



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